Lavagem do Bonfim

Cidade Baixa - Salvador/BA
2º Domingo de Janeiro, depois do Dia de Reis


A Festa do Bonfim é uma celebração religiosa, acontece no segundo domingo depois do Dia de Reis, no mês de Janeiro, com novenário solene e exposição do Santíssimo Sacramento pelo capelão da Igreja do Bonfim."Símbolo do sincretismo religioso da Bahia".

A lavagem da Igreja teve início em 1773, quando os integrantes da "irmandade dos devotos leigos" obrigaram os escravos a lavarem a Igreja como parte dos preparativos para a festa do Senhor do Bonfim. Posteriormente, para os adeptos do candomblé, a lavagem da igreja do Senhor do Bonfim passou a ser parte da cerimônia das Águas de Oxalá.

A Arquidiocese de Salvador, então, proibiu a lavagem na parte interna do templo e transferiu o ritual para as escadarias e o adro. Durante a tradicional lavagem, as portas da Igreja permanecem fechadas e as baianas despejam água de cheiro nos degraus e no adro, ao som de toques e cânticos de caráter afro-religioso (embora atualmente o ritual se revista de um perfil ecumênico), que ocorre na quinta-feira que antecede festa e conta com grande participação do povo e das tradicionais baianas, com seus vasos com água de cheiro.

A Lavagem das Escadarias Bonfim é considerada a segunda maior manifestação popular da Bahia, perdendo apenas para o Carnaval. O festejo começa às 10 da manhã, quando os participantes se concentram em frente à Igreja da Conceição da Praia para dar início a uma caminhada de 8 km até a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.

O cortejo é comandado por baianas com trajes típicos - turbantes, saias engomadas, braceletes e colares - que carregam vasos com água de cheiro. Atrás delas vem o bloco Filhos de Gandhi e uma multidão de fiéis. Todos se vestem de branco, que á a cor de Oxalá, o deus Yoruba sincretizado com Senhor do Bonfim. Depois de pouco mais de uma hora, a procissão chega até a escadaria, onde muitos espectadores a esperam.

 

Originalmente o interior da Igreja era lavado, mas hoje a água é ritualisticamente derramada fora de Nosso Senhor do Bonfim, num gesto simbólico de purificação. As baianas molham com água de cheiro os degraus da escadaria, onde também depositam flores, enquanto todos cantam o hino do Senhor do Bonfim.